Warcraft – O Primeiro Encontro de Dois Mundos | Crítica
   Canal  Bang  │     7 de junho de 2016   │     2:14  │  0

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Hoje em dia, o que mais vemos na indústria do cinema são empresas de outras mídias, em sua maioria quadrinhos, levando adaptações de suas obras para o grande público nas telonas. Pegando o embalo bem sucedido de Marvel, DC e afins, a produtora de jogos Blizzard decidiu em 2016 apostar suas fichas em Warcraft, baseado em seu game de mesmo nome, reascendendo a chama medieval que estava apagada nos cinemas desde o último O Hobbit.

O longa, como o próprio subtítulo supõe, é focado em duas frentes: os humanos, que vivem pacificamente em seu mundo, e os orcs, que graças a um portal conseguem ir para o mundo dos humanos levando consigo seu espírito pulsante por guerra. Até a chegada dos orcs nesse mundo, os humanos não têm consciência de que existem mais raças além dos sete reinos e acabam sendo surpreendidos pelos orcs, os fazendo recorrer ao Medivh (Ben Foster), também chamado de Guardião, um mago que tem a função de proteger a raça e principalmente o rei.

Do lado dos orcs, a maior força de guerra também tem envolvimento com magia, o Gul’Dan (Daniel Wu). É ele que consegue abrir o portal entre os dois mundos, utilizando uma magia chamada Vileza. O diretor Duncan Jones consegue dessa forma desenvolver ambos os lados muito bem, retrata-se de forma bem clara conflitos internos das raças, que perduram por grande parte do segundo ato, e suas motivações na batalha final.

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À medida que se molda a guerra, o filme também se aprofunda na história de figuras importantes para esse conflito, é o caso de Lothar (Travis Fimmel), cunhado do rei, por parte dos humanos, e o casal Durotan (Toby Kebbell) e Draka (Anna Galvin) por parte dos orcs. Porém quem rouba a cena e consegue protagonizar essa guerra sem precisar escolher um lado, é Garona (Paula Patton). Nem orc, nem humana, a personagem vai aos poucos de uma escrava esquecida para uma líder nata. Os degraus de sua evolução são construídos de forma tão sutil que acabam se transformando no fator crucial de seu carisma na trama.

O grande destaque da obra fica por conta dos efeitos especiais. Embora muito se critique em relação ao uso excessivo de CGI nos dias atuais no cinema, em Warcraft o uso precisa ser excessivo por conta dos orcs porém no filme é tudo muito bem retratado, os movimentos e expressões faciais fazem realmente o espectador acreditar que gigantes com dois dentes enormes saindo da boca existem. O trabalho da ILM, hoje parte do grupo Disney, pode ser facilmente colocado entre um dos melhores da última década.

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Apesar do foco nas duas raças guerreiras, o longa não deixa de abraçar a vastidão do universo de Warcraft construído nos videogames e também os homenageia com diversas referências e uma fotografia familiar não só para jogadores da franquia, como para qualquer um que já se aventurou em jogos de estratégia ou até mesmo jogadores de RPG. O grande problema é que o espectador comum não é cativado nessa intensidade.

Em geral, filmes baseados em videogames acabam resultando em críticas pesadas dos fãs, mas o caso de Warcraft é justamente o oposto. Essa é a linha tênue que divide o público e consequentemente as opiniões acerca da obra. Aqui, ou veremos um fã tecendo mil elogios ou veremos um espectador comum com uma reação mediana, expressão da grande maioria.

O filme é objetivo, simples e direto, mas que apesar disso não consegue dialogar com o grande público. Não é como se a sua mãe fosse sair da sessão com um sorriso no rosto como ela provavelmente sairia em Guerra Civil graças às piadinhas do Homem-Formiga e do Homem-Aranha, ou quem sabe por causa dos músculos do Capitão América. Warcraft é como uma montanha russa em perfeito estado mas sem loopings e curvas, o carrinho está sempre nos trilhos mas isso não é suficiente para fazer uma criança sair pedindo ‘quero mais’.

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A nota no padrão de qualidade Bang para Warcraft seria abaixo da média, mas pela bravura em já deixar pontas soltas para um segundo filme na tentativa de construção de um universo compartilhado nos cinemas, nossa nota final é 7.0.

Por: Equipe Bang / Gustavo Gobbi

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