[Crítica] Animais Fantásticos e Onde Habitam
   Canal  Bang  │     17 de novembro de 2016   │     10:33  │  1

Animais-Fantásticos-e-Onde-HabitamChega aos cinemas brasileiros nessa quinta-feira (17) o mais novo filme do universo mágico de J.K. Rowling, Animais Fantásticos e Onde Habitam, o primeiro da saga Harry Potter desde 2011, ano em que Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte 2 mostrou o duelo final entre Harry e Voldemort e atingiu a terceira maior bilheteria da história. O Canal Bang cobriu o evento de pré-estreia do filme no Cinesystem Maceió e conta aqui suas impressões da obra pelo ponto de vista de um integrante que nunca teve muito interesse na franquia.

A saga retoma décadas no passado, mais precisamente no ano de 1926, onde não há Harry, Hermione e Ron, porém há Hogwarts, a escola de magia britânica em que eles estudaram. Vindo diretamente de lá, Newt Scamander (Eddie Redmayne) desembarca em Nova York, uma nova cidade, em um novo país, com novas regras as quais o protagonista não está muito disposto a obedecer.

Consigo Scamander traz sua mala, que possui a mesma magia da famosa bolsa de Hermione dos filmes anteriores: a mala é maior por dentro. Nela Scamander traz um novo mundo – literalmente – de animais fantásticos como águias, rinocerontes, corujas, entre outros. Claro que a ideia de tentar se passar por um civil comum na América cheio de animais em sua mala não daria certo e Newt acaba arranjando problemas não apenas com bruxos mas também com “trouxas”.mala-de-Newt-ScamanderParalelamente, quase como um outro filme, o filme apresenta manifestações de uma criatura pela cidade, conhecida pelos bruxos como Obscurus, uma espécie de força das trevas que consegue matar em um piscar de olhos e faz com que os rumores de que o mundo está dominado por bruxos se tornem cada vez mais intensos, criando uma grande insatisfação popular.

Esse contraste entre a jornada de Newt e o conflito no universo da magia é, de fato, um grande defeito do longa. Talvez por estar assumindo o roteiro de um filme pela primeira vez, a escritora J.K. Rowling comete alguns tropeços crônicos de autores que vem dos livros para o cinema, afinal em livros é comum se utilizar de duas ou mais linhas cronológicas no decorrer da obra.

David Yates, diretor de quatro dos oito filmes da saga até então, retorna à franquia em grande estilo. O filme, pelo diferente tom, pela ambientação do século passado e pela necessidade real do abuso de efeitos especiais, exige um cuidado maior e ele entrega isso de forma extremamente coerente. Claramente, assim como o universo não está como em “As Relíquias da Morte”, na direção não vemos o mesmo Yates de As Relíquias da Morte. E isso é ótimo.

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Apesar de Eddie Redmayne, no papel de Newt Scamander, gesticular, se expressar e caminhar do mesmo jeito que o Doctor de Matt Smith (Doctor Who) em boa parte do filme – os fãs do seriado britânico vão entender e vão concordar –, o ator conduz o filme muito bem embora o personagem não reafirme de forma constante seu protagonismo como em muitos blockbusters da atualidade.

O elenco de apoio também se mostra bem consistente durante o decorrer do filme, porém o ponto fora da curva no que se refere ao elenco está em Johnny Depp, acredite se quiser. A verdade é que seu personagem Grindelwald, que de cara é apresentado como a maior ameaça até então do universo bruxo, é totalmente subaproveitado em todos os sentidos.

Primeiramente, em uma tentativa de causar uma surpresa à lá final de episódio de Scooby Doo, o personagem que deveria ter o início de sua personalidade maléfica construída nesse filme, se torna apenas um fanservice. É o típico personagem que faz quem leu os livros surtar só em ver o branco dos olhos e que faz o espectador comum se perguntar se era aquele mesmo o vilão ao sair da sessão. Pobre do jovem Ezra Miller (Credence) que precisa carregar o lado vilanesco da história com um personagem que definitivamente não tem esse porte.

Outro quesito é a típica atuação blasé de Depp que desde o primeiro Piratas do Caribe só sabe fazer versões alternativas de Jack Sparrow. Aqui, temos um mix de Jack Sparrow com Coringa do Jared Leto. Se o Grindelwald já é bizarro por si só, a atuação de Depp dá um novo sentido a palavra bizarro.

Se a intenção era não dar muito tempo de tela para deixar um gostinho de “quero mais” para a sequência do filme, o que a direção de casting fez com a escolha de Depp foi deixar um gostinho de “parem por aqui, esqueçam esse cara e pulem logo para um filme de The Cursed Child“.

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Enquanto Harry, Hermione e Ron ainda estão novos e a Warner não pode anunciar The Cursed Child e suas possíveis continuações nos cinemas – todos sabem que isso um dia vai acontecer –, Animais Fantásticos e Onde Habitam ainda terá mais quatro filmes, com lançamento da sequência confirmado para 17 de novembro de 2017 e o terceiro longa previsto para 2018.

A autora J.K. Rowling já confirmou que Dumbledore estará no próximo filme e que a franquia abordará os subsequentes 19 anos da cronologia do universo bruxo, ou seja, é esperado que a história se estenda até 1945, fatídico ano do embate entre Dumbledore e Grindelwald. A pergunta que não quer calar é: Onde aperta para pular para o quinto filme e ver logo o Johnny Depp ser varrido?

Nota do Canal Bang: 7/10.

Por Gustavo Gobbi / Equipe Bang

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COMENTÁRIOS
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  1. Olivia Cruz

    Poucas são as adaptações que são igual de boas que os livro, adorei assitir a Animais Fantásticos e Onde Habitam. Considero que aborda um tema interessante e pode chegar a encantar ao publico principalmente pelo seu elenco e depois pelo estilo da historia.Acho que é um dos melhores filmes que fizeram.

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