CRÍTICA | FRAGMENTADO
   Canal  Bang  │     30 de março de 2017   │     12:09  │  0

M. Night Shyamalan mostrou que não perdeu a mão e recuperou sua boa reputação com essa obra-prima! Após alguns fracassos e filmes “meia boca”, “Fragmentado” iça a carreira do diretor de volta ao patamar, onde seu nome se fez, ficando muito próximo ao impacto de “O Sexto Sentido”.

O longa entrega o que se espera dele no material promocional: muito suspense, um enredo angustiante e a intrincada história de Kevin (James McAvoy), um portador de Transtorno Dissociativo de Identidade, que sequestra três adolescentes, quando controlado por uma de suas 23 personalidades.

A ambientação e fotografia do filme criam uma perfeita sensação claustrofóbica de cárcere, com um cenário com corredores intermináveis que não entrega, de forma alguma, onde as adolescentes estão sendo mantidas.

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Destaque para a construção da trama sobre um problema real e pouco conhecido, como o TDI, e a abordagem de mundo dada ao tratamento desse transtorno. A sequência crescente da Dra. Fletcher (Betty Bucley) vai, aos poucos, explicando do que se trata e como se comportam, mental e fisicamente, as diferentes personalidades dentro do portador, causando aproximação e empatia pelo personagem principal. Os alívios cômicos são muito bem colocados, suavizando a sensação de quem está assistindo, mas sem causar piadas forçadas. Tudo muito bem inserido dentro das personalidades de Kevin, com uma aceitação muito natural.

Seria impossível não citar o brilhantismo de James McAvoy, que consegue entregar cinco atuações perfeitas! Suas passagens são tão sutis que uma mudança no olhar, na voz ou até mesmo na postura te faz reconhecer as oscilações entre um metódico portador de TOC, uma mulher elegante e um garoto ingênuo de nove anos, além das outras personalidades. A ideia do transtorno é comprada com tanta facilidade pelo espectador que chega a ser assombroso! Aliado a isso, o excelente roteiro impõe os traços dos personagens, assim como a caracterização pelo figurino com mudanças sutis e a expertise da direção, dando diferentes enquadramentos e ângulos a depender da personalidade apresentada.

A atuação de Anya Taylor-Joy (Casey) também é uma grata surpresa, visto que as demais vítimas seguem a trama em declínio, com atuações fracas, ao ponto de não fazerem falta no decorrer do filme. Em contrapartida, Casey vai criando uma compreensão do que está acontecendo e começa uma aproximação com uma das personalidades de Kevin, o garoto Hedwig, na esperança de conseguir fugir.

Split01O longa continua crescente e prendendo a atenção, até que um plot twist te deixa boquiaberto e com as ideias de pernas pro ar, mesmo que você já tenha aceitado as nuances por trás do TDI. A partir daí, a trama fica um pouco corrida e alguns cortes rápidos deixam um pouco a desejar, mas nada que comprometa a história.

Por fim, uma referência e uma aparição muito bem-vinda, nos faz arregalar os olhos e traz aquele estalo de entendimento, a luz que faltava para que tudo que foi duvidoso se torne completamente plausível! Shayamalan cria uma ligação entre Split (Fragmentado) e o sucesso que o fez decolar, Unbreakable (Corpo Fechado), deixando nossos coraçõezinhos saudosos e na esperança de uma continuidade e um desfecho para o que se tornou, ao nosso ver, uma trilogia.

Nota Bang de Qualidade: 9,0

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Por Susy Ferreira / Equipe Bang

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