CRÍTICA | PIRATAS DO CARIBE: A VINGANÇA DE SALAZAR
   Canal  Bang  │     25 de maio de 2017   │     22:32  │  0

Homens mortos não contam histórias.

Grande foi minha surpresa ao sentar na sala de cinema para ver “Piratas do Caribe” mais uma vez. Depois dos últimos dois filmes, a motivação para assistir esse filme era quase nula. Foi, realmente, agradável estar errado dessa vez. A Vingança de Salazar traz todos os elementos que fizeram nos apaixonar pela franquia: capa e espada, aventura, vilões, trapalhadas do Jack Sparrow, perdão, CAPITÃO Jack Sparrow! Um roteiro irreverente e descompromissado marca o passo do filme, de uma maneira muito agradável, que nos remete a bons filmes de aventura. Um ótimo filme para curtir no cinema e sair com a alma leve e descontraída para enfrentar as desgraças do dia a dia brasileiro que, aliás, não tá fácil pra ninguém… (Terceiro impeachment dá direito à música no Fantástico?).

A introdução do filme é uma ópera de acontecimentos frenéticos, que se somam em um amontoado de encontros e desencontros, típicos do primeiro filme, para formar a tripulação que nos acompanhará durante o longa. Lembrando, o que só poderia ser um plano vindo direto dos episódios de Pica-Pau, o primeiro ato do filme constrói uma situação tão absurda que nos leva a rir com tudo aquilo que está acontecendo na tela. MAS… (sim tem um “mas”), esse, para mim, é um ponto fraco do roteiro. Toda a situação inicial no porto retoma a prisão de Jack, no primeiro filme, e algumas cenas chegam a ser verdadeiras cópias do “Maldição do Pérola Negra”, que não chega a ser ruim, porém é pouco original.

Penso que depois de dois grandes tropeços, a Disney resolveu voltar às origens e não arriscar no roteiro, ponto negativo importante, mas, devido à diferença de tempo entre os filmes pode passar despercebido. Nesse momento do filme, nos é apresentado Henry Turner, filho de Will Turner (Orlando Bloom). Pensei que seria a hora de inovar e construir relações e diálogos novos e surpreendentes, nada comparável a diálogos “Tarantinescos”, no entanto, pensei que seria legal trabalhar essa relação, já que Will não pode sair do “Holandês Voador” por conta da maldição. Contudo, o roteiro volta às origens mais uma vez e a motivação para Henry se atirar aos mares é a mesma que Will tem no primeiro filme: livrar seu pai de uma maldição. Veja bem, não quero diálogos profundos ou discussões epopeicas, mas, parece que a Disney ficou um pouco amedrontada e não quis inovar. No entanto, tenho que reconhecer, dentro desse “feijão com arroz” o filme brilha, não deixa o ritmo diminuir e nos prende na poltrona com a expectativa do que virá a seguir.

Somos tão jovens.

No fim do primeiro ato e no começo do segundo, temos o desenvolvimento de uma das personagens que mais me agradou no longa. Durante toda a confusão da introdução, somos apresentados a Carina Smyth, uma astrônoma que é confundida com uma bruxa devido a seus conhecimentos científicos. Sem “mimimi”, mas com uma consciência do poder feminino, a Disney nos mostra uma personagem forte, inteligente, independente e que sofre perseguição por conta da sua condição como mulher e cientista. Essa introdução não se prolonga, e, com uma boa dinâmica na tela e uma excelente interação com o resto do elenco, a atriz Kaya Scodelario consegue nos entregar uma protagonista com personalidade e digna de seu lugar na trama. Ponto negativo nessa parte do filme fica à cargo do rejuvenescimento de Johnny Depp. Parece que o jovem Tony Stark de Guerra Civil ainda é imbatível, pois é uma cena, extremamente, necessária para a construção do personagem de Jack Sparrow e toda hora essa imersão se quebra pelo mau uso do CGI. Penso que usar um ator jovem com traços de Depp seria menos danoso do que aquilo mostrado na telona.


Como ponto positivo, duas palavras: Javier Bardem! Se no primeiro Piratas, Geoffrey Hush nos apresenta o pirata Barbosa, a interpretação de Bardem e o personagem Salazar roubam a cena (mesmo a Disney reutilizando antagonistas mortos-vivos, desculpe estou me repetindo… IGUAL a esse roteiro… foi mal… não vai se repetir, prometo), o capitão da Silent Mary é tudo aquilo que se espera de um vilão: implacável, cruel e sedento por vingança. A ideia de entrelaçar a origem de Jack e do Capitão Salazar é ótima, fornece uma consistência no roteiro que até então vinha faltando.

Todo o visual da Silent Mary e sua tripulação são lindos e hipnotizantes até. O navio possui um quê de Navio Fantasma e faz jus às histórias mais escabrosas que você poderia ouvir nos sete mares. Junto com todo esse visual, vem a fotografia do filme, que por sinal é bela como só a franquia consegue ser. A Vingança de Salazar é um deleite visual que por si só valeria o ingresso (aliás, esse filme faz um bom uso dos recursos 3D, o que, normalmente, não vemos nos filmes atuais… sim, Guardiões Vol. 2, estou falando de você!), que aliado à trilha sonora clássica apela para aquele jovem que vive dentro de você. O visual de toda a tripulação também é bem bacana misturando o cômico ao sombrio nos designs dos tripulantes fantasmas.

Final retumbante, pero no mucho, o terceiro ato do filme é uma corrida ao local do tesouro, com várias intenções gananciosas se misturando e atrapalhando umas as outras para finalmente culminar na cena final e mostrar o objetivo que todos, e eu, digo, TODOS os personagens do filme estão procurando. Isso não é ruim ou piegas para um filme de aventura, é esperado até. Mas o problema fica a cargo da tentativa (frustrada) de aprofundar o personagem do Capitão Barbosa, pois é feito às pressas no fim do filme, quando a única coisa que você quer saber é onde diabos está o tesouro escondido. Em determinado momento, parece até forçado tentar fazer com que os personagens sintam empatia por Barbosa e depois da conclusão da caça ao tesouro o passado desse personagem quase se perde, melhor seria tê-lo apresentado como um pirata destemido e que faz o que for preciso para sobreviver (traços característicos dos outros filmes). Toda a sequência final é impressionante e o uso do cenário para aumentar o drama das últimas cenas é um toque refinado da direção. Nesse quesito, eu tenho que agradecer aos diretores Espen Sandberg e Joachim Rønning, que conseguem colocar sua marca no ritmo do filme e perdem pouco tempo em questões desnecessárias. Os diretores fincam sua marca na série ao retomar raízes perdidas, nos fazendo vibrar com cenas e interpretações que suprem nossas expectativas. O clímax do filme nesse quesito se deu sem falhas, os diretores conseguiram entregar uma obra que é, ao mesmo tempo, divertida e respeitosa. HO HO HO HO uma vida de pirata pro BANG!

Com um roteiro que não inova, “Piratas do Caribe: A Vingança de Salazar” não será uma experiência nova e cheia de descobertas como foi “A Maldição do Pérola Negra”. O filme ousa pouco e nos entrega soluções previsíveis, personagens copiados de outros filmes e uma trama familiar demais. Porém, a direção consegue nos entreter com um filme sólido e com uma crescente narrativa bem construída. Os efeitos visuais dão à fotografia um ar típico para a franquia, nos fazendo acreditar que esses personagens estão no mesmo universo dos outros filmes. Com exceção do Johnny Depp de CGI, todo o filme agrada visualmente ao telespectador e nos proporciona uma aventura mágica e inusitada que só a franquia é capaz. Os trailers e materiais promocionais divulgam esse como sendo o fim da franquia. Caso seja, acho que a Disney pode se dar por satisfeita.

Levando todo esse conjunto de fatores em consideração, a nota atribuída a “Piratas do Caribe: A Vingança de Salazar” é sete dobrões e meio, RAAAAARRRRRGH! Quero meu navio e um mapa agora!

Nota Bang de qualidade: 7,5

Siga nossas redes sociais e inscreva-se em nosso Canal no Youtube!

Twitter: @programabang
Instagram: @programabang
http://www.facebook.com/ProgramaBang

Por Adamah Freitas / Equipe Bang

 

Tags:, , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , ,

>Link  

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *