Pantera Negra | Crítica
   Canal  Bang  │     16 de fevereiro de 2018   │     0:46  │  0

Meus amigos, que filme! Ou melhor, que filmaço! Essa, talvez, seria a melhor frase pra começar esse texto.

Após anos trazendo para as telonas homens brancos tornando-se semi-deuses, gênios com armaduras de ferro ou um gigantesco e incontrolável monstro esverdeado e um Capitão América, um filme, finalmente, traz uma lenda que empodera e estima uma nação africana e seu povo e reescreve a história para criar uma nova monarquia que reina o mais inteligente e poderoso país do mundo.

O personagem foi criado pelo Stan Lee e Jack Kirby, aparecendo pela primeira vez em “Fantastic Four” #52 (julho de 1966) na Era de Prata das histórias em quadrinhos. Após fazer sua estreia nas telas de cinema, como personagem coadjuvante em “Capitão América: Guerra Civil”, o Pantera Negra tornou-se o primeiro herói negro a ganhar um filme solo no Universo Marvel Cinematográfico.

A produção começa com uma animação, explicando o motivo, o qual o Reino de Wakanda ser tão desenvolvido tecnologicamente. O longa se passa alguns dias após o termino da Guerra Civil e T’Challa, ainda abalado com a perda de seu pai, antigo Rei da nação africana, torna-se o novo rei de Wakanda. Chadwick Boseman dá vida ao personagem e não nos decepciona. Sentimos na pele, em dados momentos, o quanto ele sente-se dividido entre sua lealdade ao povo de Wakanda, sua promessa de preservar a tradição do país e seu código moral. Neste enredo fictício, são abordados temas bastantes reais, os quais presenciamos no dia-a-dia ao redor do mundo: guerras, desigualdades sociais, conflitos políticos e racismo. O longa salienta, minuciosamente, cada particularidade da cultura afro em meio a uma nação fictícia. O zelo ao mostrar como o animalesco se junta com a modernização ao introduzir Wakanda demonstra o quanto cada detalhe foi pensado. Os sotaques e dialetos locais mantidos, as minúcias das paisagens que escondem um país incrivelmente desenvolvido, vestimentas, danças, etc., tudo, exatamente tudo, denota com quanto carinho o longa foi produzido. E isso nos enche os olhos nos primeiros minutos!

Temos a oportunidade de vermos Ulysses Klaue/Garra Sônica (Andy Serkis) em ação, já que ele teve uma participação discreta em “Vingadores: Era de Ultron”. Andy Serkis mostra que sabe atuar com ou sem captura de movimentos. Outro destaque, e que com certeza merece ser mencionado, é o antagonista (e a excelente atuação de B. Jordan, cooperando para que ele seja um dos melhores vilões da Marvel até agora!). Erik Killmonger é frustrado com o fato de que Wakanda, bem sucedida, até então, em se tornar forte e suficiente, não utilizou dessa força para impedir os navios escravos no passado e não fez muito para ajudar as vidas de descendentes afro-americanos até então. Com planos grandiosos em mente, Killmonger se distancia dos outros violões do UMC, pois sua motivação faz sentido e tem fundamento no mundo real. Ele não quer explodir o mundo e pronto. Não, ele quer algo mais profundo. Ele quer uma violenta restituição pelo sofrimento e opressão infligida àqueles que compartilham do mesmo tom de sua pele. Mesmo não concordando com seus métodos, é compreensível seu ressentimento em relação a T’Challa, Wakanda e o sistema que ele tanto quer derrubar. Pantera Negra sobrevoa uma mais área política e pessoal que os filmes que o precederam. O longa não aponta diretamente para a raiva e ressentimento de Killmonger, mas, sim, para a ideia de que não existe solução fácil para a profunda dor que a missão de Erik trouxe à superfície.

O poder feminino é onipresente neste longa. O universo do protagonista é desenvolvido em torno das principais figuras femininas da trama, um cast de qualidade e matador. Rainha Ramonda (Angela Bassett), uma experiente sacerdotisa e mãe de T’Challa, mulher de força e perseverança. Shuri é irmã do herói, excepcionalmente inteligente e responsável pelo desenvolvimento tecnológico do reino africano, tecnologia mais avançada que as de Tony Stark. Okoye (Danai Gurira) é o braço direito do protagonista, uma guerreira insana e general da guarda real de Wakanda, as Dora Milaje, um grupo de mulheres guerreiras que atuam como guardas-costas do Rei Pantera Negra. E, por último, Nakia (Lupita Nyong’o), o amor de T’Challa, é uma espiã altamente treinada e com uma visão de que Wakanda tem que se impor e ajudar o mundo fora de suas fronteiras. Cada personagem é singular e tem uma tremenda importância para a trama. O filme pode ser sobre o Pantera Negra, mas não a como negar que o girl power comanda o longa em boa parte dele.

Ryan Coogler (Creed: Nascido Para Lutar) nos entrega uma produção muito bem dirigida, com cenas de combate com excelência em suas coreografias. Rachel Morrison nos entrega uma  fotografia perfeita, mostrando cada pormenor nas cenas de plano geral, médio e conjunto e, principalmente, nas tomadas de plano-sequência. O figurino colorido, baseados nas obras de Jack Kirby, criado por Ruth E. Carter deu vida as vestimentas das tribos nativas e as máscaras exuberantes, utilizadas pelos figurantes. Sarah Finn escalou um elenco de negros e negras maravilhosos e extremamente talentosos, onde cada escolha caiu como uma luva nos personagens. A trilha sonora de Kendrick Lamar e Ludwig Göransson se mescla com as forças dos tambores e marca o filme do início ao fim. Joe Robert Cole e Cooler nos deram novamente um roteiro com um tom dramático, sombrio, excitante e sério, cheio de conflitos políticos e comédia na medida certa.

O filme do Pantera Negra nos mostra um dos heróis mais humanos e carismáticos dentro do Universo Marvel Cinematográfico.

Nota Bang de qualidade: 9,0

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Por Priscila Melo / Equipe Bang

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