Category Archives: Críticas

Blade Runner: 2049 | Crítica
   Canal  Bang  │     6 de outubro de 2017   │     20:32  │  0

Finalmente a continuação de um dos grandes ícones cult da ficção científica chegou aos cinemas mundiais. Um público seleto estava aguardando ansiosamente pela estreia de Blade Runner: 2049. O diretor Denis Villeneuve manteve a proposta de 35 anos atrás, comandada pelo cineasta Riddley Scott no primeiro filme que estreou em 1982 como uma adaptação do livro de Philip K. Dick, “Androides sonham com ovelhas elétricas?“.

Era de se esperar que houvesse uma lapidação especial quanto ao novo filme de Blade Runner. Honrando veementemente as expectativas, o longa conseguiu surpreender e fazer os verdadeiros fãs mergulharem de cabeça em um futuro distópico cyberpunk, possibilitando a exploração de uma sociedade altamente tecnológica e de decadência social. O filme debate sobre o funcionamento da caracterização humana e como seria o próximo passo da cadeia evolutiva num contexto de criação natural e artificial. Outro ponto forte do filme são as questões filosóficas sobre o sentido da existência e a autoconsciência. Mescladas e com bastante espaço para os pensamentos reflexivos entre as cenas, é possível ficar a deriva em um mar de incertezas de possibilidades e sobre como a humanidade conseguiu interferir diretamente no próprio curso evolutivo da espécie.

É preciso assistir e ao mesmo tempo refletir sobre a trama que envolve K (Ryan Gosling), um caçador de androides, e como o enredo o leva a procura do velho conhecido Rick Deckard (Harrison Ford) após 30 anos do seu desaparecimento. Mais uma vez, temos fortes presenças antagônicas comandadas pelo enigmático empresário Niander Wallace (Jared Leto), ao lado da temida replicante Luv (Sylvia Hoeks).

A nostalgia está presente em todos os momentos. Na chuva ácida que insiste em cair, nos hologramas e referências orientais, nas cenas sem diálogos e de lentidão reflexiva, nos dilemas de crise de identidade e na dúvida sobre o que Deckard realmente é. Tudo continua lá! Como uma verdadeira obra prima, Blade Runner: 2049 já deixou claro que algumas de suas cenas serão eternizadas no cinema e que é totalmente possível manter uma atmosfera clássica oitentista num filme moderno que possui admiráveis efeitos especiais e sonoros. Como não se arrepiar ouvindo a clássica trilha sonora construída sob os sintetizadores dos anos 80? Neste ponto, os compositores Benjamin Wallfisch e Hans Zimmer deram um grande exemplo de reformulação sutil.

Este não é um filme pop e muito menos um filme de ação. Não é para a grande maioria. Apresenta-se como sendo muito mais do que isso. O Canal Bang te aconselha a separar um bom tempo (cerca de 3 horas de duração) e manter a mente aberta para compreender e se fascinar com o universo de Blade Runner: 2049. Um conselho dado, principalmente, para aqueles que gostam dos cenários cinematográficos cyberpunk, cult e reflexivo.

Nota Bang de qualidade: 9,5

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Por Moezio Vasconcellos / Equipe Bang

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Os Defensores | Crítica
   Canal  Bang  │     21 de agosto de 2017   │     15:01  │  0

Finalmente a série que une os quatro vigilantes urbanos da Marvel na Netflix teve a sua estreia nesta sexta (18/08) e o Canal Bang já fez a sua maratona no final de semana e conferiu o que este projeto tentou trazer para este universo compartilhado. Era de se esperar que cada vigilante tivesse a sua importância ao longo dos episódios. Deve ter sido um grande desafio colocar personagens tão diferentes convergindo dentro de um mesmo enredo. De cara os fãs se reencontram com Matthew, Luke, Jéssica e Danny na expectativa do encontro entre eles que só acontece algum tempo após o início da série. Cada um trouxe consigo os pontos positivos de suas narrativas individuais, ou os pontos negativos como será discutido mais adiante.

Com o passar dos episódios o enredo resgatou momentos de grande importância das séries anteriores relacionando-os com a principal ameaça apresentada em Os Defensores. O Tentáculo voltou mais forte do que nunca mostrando a força de cada um dos seus membros comandantes que são guiados e controlados por Alexandra que é interpretada pela incrível Sigourney Weaver. É notável o peso dos diálogos e as referências a eventos que ocorreram no passado.

A química entre os heróis existe. Cada um se esforçou para fazer parte da equipe, especialmente Danny Rand, que se tornou o principal elo com o Tentáculo na trama. Entretanto, Finn Jones é quem deve continuar se esforçando para que a sua atuação convença aos fãs, principalmente nas cenas de luta que deveriam ser a essência do Punho de Ferro. Este problema já tinha sido diagnosticado na trama solo do personagem e o ator ainda parece perdido e com pouca destreza marcial. A compensação vem no domínio de luta do Demolidor (Charlie Cox) e Elektra Natchios (Élodie Yung), tornando a ação melhor a cada episódio. Sabemos que Luke (Mike Colter) e Jéssica (Krysten Ritter) possuem uma super força, o que explicaria nos dois a falta de perícia em artes marciais.

Passando por essa análise, a trama, apesar de regular, é envolvente em um nível similar ao das outras séries da Marvel na Netflix. De uma forma geral é sempre bom voltar a este universo, principalmente quando os episódios finais deixam um espaço para futuras continuações. Por fim, não deixem de ficar para o teaser pós créditos. Frank está chegando!

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Homem-Aranha: De Volta ao Lar | Crítica
   Canal  Bang  │     6 de julho de 2017   │     10:27  │  0

Como a maioria dos trailers sugeriram, Homem-Aranha: De Volta ao Lar fez sua estreia tentando cumprir com sua missão dentro do universo cinematográfico da Marvel. É difícil analisar, individualmente, um filme, quando ele é apenas uma das peças de um quebra-cabeça em busca de coesão à medida em que vai crescendo e com o mais novo filme do Homem-Aranha não foi diferente. Com duas versões anteriores, interpretadas por Tobey Maguire e Andrew Garfield, esta nova narrativa foca no amadurecimento de Peter Parker em meio a uma Nova York que superou a invasão dos Chitauris e que, ao mesmo tempo, demonstra a ganância através do domínio de uma tecnologia alienígena reciclada. Não seria necessário apresentar mais uma origem do herói, quando os fãs já sabem muito bem do que uma aranha radioativa é capaz. Estava na hora de aproveitar a incrível surpresa de Capitão América: Guerra Civil e continuar honrando um dos super-heróis mais populares que já existiram.

Pelo visto a fórmula deu certo e os estúdios Marvel deu de presente aos fãs um filme que equilibra muito bem os momentos de ação, humor e drama. De início, temos a revelação da construção do personagem de Michael Keaton, e um personagem convence a partir do momento em que as pessoas se colocam no lugar dele e se enxergam, cometendo os mesmos atos. O vilanismo clássico é deixado de lado e é dado lugar a um Abutre que tenta sobreviver, sem refletir sobre as consequências de seus atos. Ao lado dele, encontram-se outros personagens conhecidos das HQs e que, possivelmente, poderiam dar muito trabalho ao Homem-Aranha, deixando o fã service ainda melhor.

 

 

Assim como os grandes membros dos Vingadores, o Aranha de Tom Holland é digno de ter a sua própria estória e apesar da relação mestre-aprendiz e a presença constante de Tony Stark (Robert Downey Jr.) e do carismático Happy Hogan (Jon Favreau), a interpretação de Holland continua sendo o destaque e é uma das maiores personificações dos fãs em um filme, onde todos que acompanham este universo gostariam de estar inseridos. Com as incríveis referências aos clássicos “Curtindo a Vida Adoidado” e “Clube dos Cinco“, o humor provocado pelas situações de um típico personagem adolescente é notável, seja pela amizade entre dois nerds, pelo clima de romance, quando a garota dos sonhos ganha a tela ou até mesmo através dos vídeos educacionais que testam a concentração e a paciência de qualquer pessoa.

 

 

Entretanto, nem tudo são rosas. Alguns fãs “raiz”, provavelmente, irão estranhar bastante um uniforme construído com a tecnologia Stark ao invés do velho colante costurado pelas próprias mãos do Peter Parker. Toda a tecnologia acaba diminuindo o protagonista, passando a impressão de que as decisões não são tomadas pelo Cabeça de Teia e que, apesar dele saber que ainda está no controle, se perde com a ilusão de que o traje é que faz o herói (ele ganha uma bela lição de moral por isso).

Neste filme, aprendemos a nos divertir mais com o Peter Parker do que com o Homem Aranha. De volta ao Lar nos proporciona boas risadas e confere um gosto incrível à pipoca que estamos saboreando. Entretanto, muitos irão se deparar com aqueles que ainda preferem roteiros como os apresentados nos dois primeiros filmes dirigidos por Sam Raimi no início dos anos 2000. Apesar dos prós e contras, uma coisa é certa: a casa das ideias conseguiu acertar mais um encaixe no seu incrível quebra-cabeça, provocando a ansiedade pelas próximas narrativas do incrível Homem-Aranha dentro deste universo.

 

 

Nota Bang de qualidade: 8,5

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CRÍTICA | A MÚMIA
   Canal  Bang  │     11 de junho de 2017   │     11:28  │  0

O primeiro título lançado pela Universal para a franquia Dark Universe fez mais que o esperado e menos que o prometido. A sensação deixada em quem sai da sessão é a seguinte: quem produziu esse filme ficou tão empolgado com o que estava fazendo que pecou pelo excesso. A história apresenta – como é de praxe – o retorno de uma múmia amaldiçoada, em busca de vingança. Desta vez uma mulher, a princesa Ahmanet, que precisa terminar seu ritual para trazer o deus Set vivo no corpo de um escolhido e ao lado dele exercer o reinado que lhe foi tomado.

Com o roteiro fraco e muito corrido de Jon Spaihts (roteirista – Doutor Estranho), a empatia simplesmente não acontece. Você não consegue sentir pena ou raiva ou sequer shippar o casal Nick (Tom Cruise) e Jenny (Annabelle Wallace). Além disso, o roteiro poderia ser mais humilde e não entregar tudo de uma vez, logo de cara. Um bom exemplo disso é a aparição do Dr Jekyll (Russell Crowe) desde o início da trama. É certo que o personagem é fundamental para essa história e o que ela representa para o resto da franquia, mas a surpresa acerca desse personagem não precisaria ser entregue aqui. Seria mais sensato deixar, no máximo, uma sugestão sutil numa cena pós créditos.

A história é muito corrida, com muitos núcleos e muita história pra pouco tempo, com um aspecto “piscou, perdeu”, tornando o plano sequência picotado de uma forma que não dá pra ignorar. Além de contar com uma tentativa de fan service, que na verdade se tornou clichê e não agradou quem queria ver algo diferente e não mais do mesmo, mas também existem bons fan services durante o filme… Os mais atentos irão perceber os objetos utilizados.

Pra quem esperava por um filme de monstro que de fato inspirasse medo, a combinação roteiro + Sofia Boutella deixou um quê de “qualquer nota”, apesar do enredo interessante. Faltou fúria e ódio na atuação e cenas de destruição que dessem credibilidade à ameaça.

Visualmente, o filme é bem feito, a ambientação, apesar de ter pouco espaço, é realista e conta com muitos itens fiéis à cultura egípcia. Já os efeitos também foram sofríveis em vários momentos. A pior ideia de produção/roteiro em relação ao longa foram as cenas de alívio cômico à cargo do companheiro de saque de Nick, o sargento Vail. Esse é o tipo de filme que não precisa de comédia e foi exatamente isso que estragou a franquia estrelada por Brendan Fraser, com a mesma temática.

A forma como o desfecho é apresentado também não te permite criar um elo emotivo com o protagonista, apesar do plot impor a ele uma decisão de sacrifício. A frase de efeito do Dr Jekyll no final ajuda a gente se envolver um pouco mais com o personagem de Cruise, que deve voltar a dar as caras no decorrer da franquia.

Por fim, é um filme que te diverte se você tiver atenção a ele. Vale pela bela apresentação que Russell Crowe faz do Sr Hyde e podemos dizer que até os momentos de impossível sobrevivência do personagem de Tom Cruise são justificados pela própria trama. É um filme de introdução e pela importância dele para o que está por vir no Dark Universe, esse longa passou arrastando!

Nota Bang de qualidade: 6,0

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Por Susy Ferreira / Equipe Bang

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CRÍTICA | MULHER-MARAVILHA
   Canal  Bang  │     1 de junho de 2017   │     21:02  │  0

Mulher-Maravilha tinha o dever de levantar a auto estima da DC / Warner Bros. nos cinemas e desfazer a má impressão deixada por Batman vs. Superman e Esquadrão Suicida. E conseguiu!

Diana (Gal Gadot), a jovem e ingênua amazona nascida e criada na bela Ilha de Themyscira e até então apenas a princesa de sua espécie, é treinada por Antíope, sua tia, interpretada pela atriz Robin Wright (House of Cards) para se tornar a mais forte entre as amazonas. O roteiro do filme é bem amarrado e conta com a história da origem de Diana, onde o resgate de Steve Trevor (Chris Pine) que caiu com seu avião de guerra nas águas da ilha, acaba sendo a ponte para ela conhecer o mundo dos humanos, o qual ela deve proteger.

Não há como reclamar dos personagens, o filme tem uma incrível Mulher-Maravilha, Chris Pine foi muito bem no seu papel de ator coadjuvante, além de ter sido responsável pelo alívio cômico do filme, Connie Nielsen como Rainha Hipólita também foi ótima. A ambientação da Primeira Guerra, diferente da Ilha Themyscira que é bem colorida, deixou o filme com uma carga mais tensa, as cenas de ação são de cair o queixo, a diretora do filme, Patty Jenkins, soube usar de forma bem acentuada as cenas com slow motion, deixando assim, uma marca nos golpes principais que acontecem nas lutas. Para entender o filme, não é necessário conhecer outros do Universo, pois trata-se de uma história fechada.

O grande exagero, porém aceitável, acontece no final, na grande batalha. Nesse momento parece que o mundo real acaba e, dali pra frente, só existe uma infinita sequência gravada em chroma key, o CGI (Computer Graphic Imagery, ou seja, imagens geradas por computador) é jogado na cara do telespectador, mas e daí? Isso é um filme de super-herói, ora! Outro exagero, esse um pouco menos aceitável, mas ainda assim podemos encarar, é o excesso de ingenuidade da Mulher-Maravilha.

Muito se falava, anos atrás, quando Gal Gadot foi a atriz escolhida para interpretar a heroína mais famosa dos quadrinhos. Uns diziam ser muito franzina, outros que ela não tinha cara de marrenta, não iria convencer, mas aos poucos, com os trailers, a participação em Batman Vs. Superman (há quem diga que a melhor parte do filme), Gal, com seu carisma, foi conquistando o público e o que vimos foi uma Mulher-Maravilha com Ms maiúsculos.

Nota Bang de qualidade: 9,0

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Por Rafael Bezerra / Equipe Bang

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CRÍTICA | PIRATAS DO CARIBE: A VINGANÇA DE SALAZAR
   Canal  Bang  │     25 de maio de 2017   │     22:32  │  0

Homens mortos não contam histórias.

Grande foi minha surpresa ao sentar na sala de cinema para ver “Piratas do Caribe” mais uma vez. Depois dos últimos dois filmes, a motivação para assistir esse filme era quase nula. Foi, realmente, agradável estar errado dessa vez. A Vingança de Salazar traz todos os elementos que fizeram nos apaixonar pela franquia: capa e espada, aventura, vilões, trapalhadas do Jack Sparrow, perdão, CAPITÃO Jack Sparrow! Um roteiro irreverente e descompromissado marca o passo do filme, de uma maneira muito agradável, que nos remete a bons filmes de aventura. Um ótimo filme para curtir no cinema e sair com a alma leve e descontraída para enfrentar as desgraças do dia a dia brasileiro que, aliás, não tá fácil pra ninguém… (Terceiro impeachment dá direito à música no Fantástico?).

A introdução do filme é uma ópera de acontecimentos frenéticos, que se somam em um amontoado de encontros e desencontros, típicos do primeiro filme, para formar a tripulação que nos acompanhará durante o longa. Lembrando, o que só poderia ser um plano vindo direto dos episódios de Pica-Pau, o primeiro ato do filme constrói uma situação tão absurda que nos leva a rir com tudo aquilo que está acontecendo na tela. MAS… (sim tem um “mas”), esse, para mim, é um ponto fraco do roteiro. Toda a situação inicial no porto retoma a prisão de Jack, no primeiro filme, e algumas cenas chegam a ser verdadeiras cópias do “Maldição do Pérola Negra”, que não chega a ser ruim, porém é pouco original.

Penso que depois de dois grandes tropeços, a Disney resolveu voltar às origens e não arriscar no roteiro, ponto negativo importante, mas, devido à diferença de tempo entre os filmes pode passar despercebido. Nesse momento do filme, nos é apresentado Henry Turner, filho de Will Turner (Orlando Bloom). Pensei que seria a hora de inovar e construir relações e diálogos novos e surpreendentes, nada comparável a diálogos “Tarantinescos”, no entanto, pensei que seria legal trabalhar essa relação, já que Will não pode sair do “Holandês Voador” por conta da maldição. Contudo, o roteiro volta às origens mais uma vez e a motivação para Henry se atirar aos mares é a mesma que Will tem no primeiro filme: livrar seu pai de uma maldição. Veja bem, não quero diálogos profundos ou discussões epopeicas, mas, parece que a Disney ficou um pouco amedrontada e não quis inovar. No entanto, tenho que reconhecer, dentro desse “feijão com arroz” o filme brilha, não deixa o ritmo diminuir e nos prende na poltrona com a expectativa do que virá a seguir.

Somos tão jovens.

No fim do primeiro ato e no começo do segundo, temos o desenvolvimento de uma das personagens que mais me agradou no longa. Durante toda a confusão da introdução, somos apresentados a Carina Smyth, uma astrônoma que é confundida com uma bruxa devido a seus conhecimentos científicos. Sem “mimimi”, mas com uma consciência do poder feminino, a Disney nos mostra uma personagem forte, inteligente, independente e que sofre perseguição por conta da sua condição como mulher e cientista. Essa introdução não se prolonga, e, com uma boa dinâmica na tela e uma excelente interação com o resto do elenco, a atriz Kaya Scodelario consegue nos entregar uma protagonista com personalidade e digna de seu lugar na trama. Ponto negativo nessa parte do filme fica à cargo do rejuvenescimento de Johnny Depp. Parece que o jovem Tony Stark de Guerra Civil ainda é imbatível, pois é uma cena, extremamente, necessária para a construção do personagem de Jack Sparrow e toda hora essa imersão se quebra pelo mau uso do CGI. Penso que usar um ator jovem com traços de Depp seria menos danoso do que aquilo mostrado na telona.


Como ponto positivo, duas palavras: Javier Bardem! Se no primeiro Piratas, Geoffrey Hush nos apresenta o pirata Barbosa, a interpretação de Bardem e o personagem Salazar roubam a cena (mesmo a Disney reutilizando antagonistas mortos-vivos, desculpe estou me repetindo… IGUAL a esse roteiro… foi mal… não vai se repetir, prometo), o capitão da Silent Mary é tudo aquilo que se espera de um vilão: implacável, cruel e sedento por vingança. A ideia de entrelaçar a origem de Jack e do Capitão Salazar é ótima, fornece uma consistência no roteiro que até então vinha faltando.

Todo o visual da Silent Mary e sua tripulação são lindos e hipnotizantes até. O navio possui um quê de Navio Fantasma e faz jus às histórias mais escabrosas que você poderia ouvir nos sete mares. Junto com todo esse visual, vem a fotografia do filme, que por sinal é bela como só a franquia consegue ser. A Vingança de Salazar é um deleite visual que por si só valeria o ingresso (aliás, esse filme faz um bom uso dos recursos 3D, o que, normalmente, não vemos nos filmes atuais… sim, Guardiões Vol. 2, estou falando de você!), que aliado à trilha sonora clássica apela para aquele jovem que vive dentro de você. O visual de toda a tripulação também é bem bacana misturando o cômico ao sombrio nos designs dos tripulantes fantasmas.

Final retumbante, pero no mucho, o terceiro ato do filme é uma corrida ao local do tesouro, com várias intenções gananciosas se misturando e atrapalhando umas as outras para finalmente culminar na cena final e mostrar o objetivo que todos, e eu, digo, TODOS os personagens do filme estão procurando. Isso não é ruim ou piegas para um filme de aventura, é esperado até. Mas o problema fica a cargo da tentativa (frustrada) de aprofundar o personagem do Capitão Barbosa, pois é feito às pressas no fim do filme, quando a única coisa que você quer saber é onde diabos está o tesouro escondido. Em determinado momento, parece até forçado tentar fazer com que os personagens sintam empatia por Barbosa e depois da conclusão da caça ao tesouro o passado desse personagem quase se perde, melhor seria tê-lo apresentado como um pirata destemido e que faz o que for preciso para sobreviver (traços característicos dos outros filmes). Toda a sequência final é impressionante e o uso do cenário para aumentar o drama das últimas cenas é um toque refinado da direção. Nesse quesito, eu tenho que agradecer aos diretores Espen Sandberg e Joachim Rønning, que conseguem colocar sua marca no ritmo do filme e perdem pouco tempo em questões desnecessárias. Os diretores fincam sua marca na série ao retomar raízes perdidas, nos fazendo vibrar com cenas e interpretações que suprem nossas expectativas. O clímax do filme nesse quesito se deu sem falhas, os diretores conseguiram entregar uma obra que é, ao mesmo tempo, divertida e respeitosa. HO HO HO HO uma vida de pirata pro BANG!

Com um roteiro que não inova, “Piratas do Caribe: A Vingança de Salazar” não será uma experiência nova e cheia de descobertas como foi “A Maldição do Pérola Negra”. O filme ousa pouco e nos entrega soluções previsíveis, personagens copiados de outros filmes e uma trama familiar demais. Porém, a direção consegue nos entreter com um filme sólido e com uma crescente narrativa bem construída. Os efeitos visuais dão à fotografia um ar típico para a franquia, nos fazendo acreditar que esses personagens estão no mesmo universo dos outros filmes. Com exceção do Johnny Depp de CGI, todo o filme agrada visualmente ao telespectador e nos proporciona uma aventura mágica e inusitada que só a franquia é capaz. Os trailers e materiais promocionais divulgam esse como sendo o fim da franquia. Caso seja, acho que a Disney pode se dar por satisfeita.

Levando todo esse conjunto de fatores em consideração, a nota atribuída a “Piratas do Caribe: A Vingança de Salazar” é sete dobrões e meio, RAAAAARRRRRGH! Quero meu navio e um mapa agora!

Nota Bang de qualidade: 7,5

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Por Adamah Freitas / Equipe Bang

 

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CRÍTICA | CORRA! (GET OUT)
   Canal  Bang  │     19 de maio de 2017   │     18:05  │  0

O filme “Corra!” (Get Out) trata, explicitamente, o tema racismo, em meio à tensão e ao clima de terror que é construído de forma crescente em sua narrativa. Sua história não têm enrolações, Chris, um negro, namora com, Rose, uma mulher branca e está preparando-se para conhecer os pais da moça. Chegando ao local, ele percebe algo de estranho com os funcionários da casa.

O clima de terror e a tensão vão surgindo de forma gradativa. A desconfiança de Chris só aumenta e ele decide partir dali, porém não será uma missão fácil.

O filme não tem furos de roteiro, tudo é bem amarrado e de forma bem didática. A cada passo, o desenrolar vai ficando mais tenso, o diretor Jordam Peele consegue passar uma sensação, onde a ameaça está sempre presente, apesar de não ter muitos momentos de sustos, essas ameaças nos deixa sempre na expectativa do inesperado.

“Corra!” chegou aos cinemas essa semana, como já havia saído nos EUA, muitas pessoas já o assistiram de forma “pirata” e talvez não faça tanto alarde nos cinemas. O gênero terror vem cada vez mais trazendo filmes ruins, onde são geradas muitas expectativas e execuções que deixam a desejar, apesar de ser o primeiro filme do gênero desse diretor, ele conseguiu acertar a mão e, ainda, trouxe um questionamento racial muito importante para ser debatido ainda nos tempo de hoje.

Não deixe de ver “Corra!”. Vale muito a pena. Recomendadíssimo.

Nota Bang de qualidade: 8,0

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CRÍTICA | ALIEN: COVENANT
   Canal  Bang  │     12 de maio de 2017   │     12:07  │  0

Alien: Covenant chega aos cinemas causando a mesma sensação do seu antecessor, não deixando alternativa a não ser usar o trocadilho: Prometheus e não “cumprius”.

A ideia da nova trilogia da franquia é funcionar como prequels, à la Star Wars, sobre a origem dos Xenomorfos. Pois bem, insistir em explicar demasiadamente determinadas coisas pode não funcionar muito bem dentro de uma franquia, pois acaba tirando o foco daquilo que realmente queremos ver.

O longa apresenta a nave colonizadora Covenant, com destino ao planeta Origae-6, onde a tripulação leva colonos para povoar o local. No percurso, uma transmissão recebida se revela uma música cantada por uma voz humana, vinda de um planeta com condições irrefutáveis à sobrevivência. Convenientemente, a proximidade da nave com o planeta torna a tentação de uma incursão irresistível.

Contanto com elementos de roteiro clichês de filmes de terror/suspense, que levam a tripulação a tomar decisões ridiculamente absurdas, como explorar individualmente lugares inóspitos, o longa nos apresenta uma equipe apática e despreparada para lidar com as situações propostas, tendo suas ações repetidamente comprometidas por emoções. A construção de personagens é fraca e pobre, não provocando empatia do público sequer pela protagonista Daniels (Katherine Waterston).

Por outro lado, o filme traz questões interessantes como criacionismo, autoconhecimento e consciência de supremacia, graças à brilhante atuação de Michael Fassbender e ao texto atribuído aos seus personagens, os androides David e Walter. David é o androide sobrevivente da nave Prometheus, responsável pelo resgate da equipe de incursão de Covenant, que também tem um sintético como ele, Walter, esse último mais moderno e “desumanizado”. Os diálogos entre os dois mostram que David tem consciência sobre si e considera a humanidade indigna de sua criação, por ser inferior a ela.

Os diálogos e cenas envolvendo os androides são muito bem feitos, mas deixa a sensação que a trama está isolada dos demais acontecimentos do filme. A ação é fraca e o terror que esperávamos, inerente à franquia, é apresentado com uma preguiça decepcionante, não existe clima de suspense criado. Algumas cenas tem elementos que incomodam por não fazerem sentido e as sequências de ataque são rápidas demais, o telespectador é privado de saborear o horror do filme.

Em contrapartida, os efeitos especiais são bem feitos, a fotografia é boa, mas deixa a desejar na ambientação claustrofóbica a que estamos acostumados. Finalmente, temos o bom e velho plot twist, se você conseguir ser cético o suficiente para ser enganado por uma situação que é sutilmente apresentada como hipótese muito provável. Apesar de tudo, o desfecho agrada por ser coerente e dar a deixa para a continuação.

Nota Bang de qualidade: 7,0

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Por Susy Ferreira / Equipe Bang

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CRÍTICA | GUARDIÕES DA GALÁXIA
   Canal  Bang  │     27 de abril de 2017   │     12:35  │  0

A Galáxia continua protegida pelos nossos recentes amados Guardiões da Galáxia. Em seu volume 2, mais uma vez, o diretor acerta a mão e temos um bom filme cheio de efeitos especiais maravilhosos e o humor bem colocado para todos os tipos de públicos.

Ao contrário do primeiro filme, dessa vez não temos supervilões gigantes indestrutíveis, a história traz você para mais próximo da vida pessoal dos personagens. A equipe se divide em duas, em boa parte do filme, enquanto uma parte vai resolver uma questão “familiar”, a outra precisa ficar e acaba entrando em uma fria com a chegada de um antigo conhecido dos Guardiões.

O filme tem sua beleza visual inquestionável, porém, apesar de ser um bom filme, não empolgou tanto como no volume 1, talvez pela trama ou até mesmo pela surpresa que foi o primeiro filme. Guardiões da Galáxia funciona dentro da proposta. Em certo momento, o longa engata uma carga dramática, que se ajusta dentro da história, trazendo um equilíbrio entre humor e drama.

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Um outro ponto que ficou abaixo do primeiro é sua trilha sonora, apesar de ser muito boa, não é tão incrível quanto à primeira. Eu saí do filme ainda com a música “Come and Get Your Love” na cabeça (Juro!).

A partir de agora, vou citar situações curiosas com spoilers violentos, que a meu ver, são de certa forma, muito interessantes:

Stan Lee – Sua aparição dessa vez chamou muito a atenção, pois ele não vem sozinho, o vemos com Os Vigias, raça alienígena, poderosa, que observam eventos que ocorrem no universo e os registram.

Nebul ou Nebulosa – Sua aproximação com a irmã e as suas explicações sobre como seu pai, o poderoso Thanos, a tratava, faz com que o público comece a gostar da personagem.

Stallone e seu papel – Muitas pessoas não esperavam pela aparição do nosso eterno Rocky Balboa, no filme da Marvel. Stallone interpreta o personagem Stakar Ogord, ele aparece bem diferente dos quadrinhos.

Mantis e Drax – A ingênua Mantis tinha tudo para passar despercebida, porém  ao encontrar o sincero Drax, a história muda de figura e por várias vezes a dupla faz o público cair na gargalhada.

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Cenas Pós-créditos – Uma das cinco cenas pós-créditos (isso mesmo, o filme tem cinco cenas pós-créditos), mostra um casulo fechado e Ayesha, uma das vilãs, diz que está criando uma arma para se vingar dos Guardiões da Galáxia, ela diz simplesmente que vai dar o nome de “Adam”. Adam Warlock é um personagem que tem muita importância na saga da Guerra do Infinito.

Bom, é isso aí…

Nota Bang de qualidade: 8

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CRÍTICA | VIDA (LIFE)
   Canal  Bang  │     25 de abril de 2017   │     0:01  │  0

Vida (Life)

Vida (Life)

Vida é um grande clichê, mas feito com muito capricho e com capacidade de te prender e divertir. O longa, dirigido por Daniel Espinosa, traz um elenco com nomes notáveis como Jake Gyllenhaal, Rebecca Ferguson e Ryan Reynolds, mas o medo de ousar e sair da zona de conforto o coloca em um lugar comum.

O roteiro é muito forçado e não tem nada ali que você ainda não tenha visto. As referências, mesmo as sutis, são inegáveis. O filme começa mantendo a premissa Sci-fi usada para vendê-lo, a equipe e a missão espacial são apresentadas ao telespectador e toda uma atmosfera de empolgação é criada sobre a descoberta científica de que existe vida fora da Terra, mais especificamente em Marte.

Os personagens são mantidos em linearidade, nenhum deles é visto de forma singular, tanto que talvez você (assim como eu) não consiga criar empatia o suficiente para lembrar de seus nomes. A ideia é dar destaque e protagonismo ao Calvin, o ser vivo encontrado nas amostras de Marte.

Ryan Reynolds em Vida

Ryan Reynolds em Vida

Até aí, nada fora do comum, dentro do contexto. O plano-sequência é bem estruturado, os cortes são imperceptíveis. Destaque para todo o aspecto técnico do filme: iluminação bem utilizada na criação de um clima claustrofóbico; fotografia crescente, de acordo com curso da história, começando com filtros mais quentes e, quando a trama se revela um suspense, o uso de cores frias torna o visual cada vez mais sombrio e angustiante; os efeitos visuais das paisagens especiais são incríveis; os ângulos de filmagem e a técnica de simulação de gravidade zero funcionam perfeitamente.

Jake Gyllenhaal em Vida

Jake Gyllenhaal em Vida

Mas, nesse momento, o filme começa a abusar da nossa inteligência, quando o roteiro força os personagens a tomarem uma série de decisões completamente inaceitáveis até mesmo para os leigos, apenas para que a história possa seguir. Nesse ponto, apesar da construção do suspense e do terror, que chega a te fazer suar e a causar incômodo, a história decai bastante.

Todos os rumos começam a ficar completamente previsíveis. Um ponto forte aqui no segundo ato é a abordagem de dois temas recorrentes, mas importantes: a ideia de que a sobrevivência causa destruição e o foco da equipe de colocar a segurança da humanidade acima de suas próprias vidas.

Rebecca Ferguson em Vida

Rebecca Ferguson em Vida

A atmosfera de suspense e terror em torno dessa criatura viva, que ninguém sabe como funciona direito e o quão inteligente ela é, torna a experiência muito mais emocionante. Todo o desprendimento da equipe e seu sacrifício vão convergindo para um final mais do que esperado, e é nesse momento que o filme surpreende, apresentando uma solução que eu não chamaria de inusitada, já que se você tiver tempo pra pensar em como tudo pode terminar, com certeza a hipótese não seria descartada. Só que a grande jogada é que o terceiro ato é acelerado de tal forma que não te dá essa oportunidade de pensar nas possibilidades, o que faz o final funcionar como um plot twist de arregalar os olhos, nem que seja só um pouquinho.

Nota Bang de qualidade: 6,5

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Por Susy Ferreira / Equipe Bang

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